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Brincadeiras Perigosas: sobre a falta de cuidado com a vida!

ADOLESCENTES

Simone Fuzaro

7/14/20203 min read

Estamos tomando contato com brincadeiras extremamente perigosas que vem acontecendo entre jovens e adolescentes no retorno às aulas. Além de acontecerem, são filmadas e divulgadas pelas redes sociais, entusiasmando outros a “brincarem” do mesmo modo.

Aqueles que tiveram oportunidade de assistir aos vídeos que vem sendo veiculados na internet devem ter se surpreendido com a dimensão da irresponsabilidade e falta de senso de perigo que mostram. São cenas absurdas, que nos provocam reflexão.

Sabemos que a adolescência é uma fase de descobertas, de mudanças, de questionamentos. É um momento da vida que traz muitos desafios, nela está se forjando a capacidade de viver como adulto e esse é um processo intenso e complexo. É comum num primeiro momento da adolescência, haver uma necessidade grande de viver em grupo, de compartilhar com os iguais os costumes, o modo de falar, de vestir etc. Também sabemos que muitos acabam “seguindo o fluxo” do grupo para sentirem-se incluídos e aceitos – movimento importante para o processo de construção da identidade e autoestima.

A partir dos 15 anos já começam a se diferenciar em grupos menores, começam a formar suas próprias opiniões e ideias, seu modo de vestir e de falar... começam a descobrir sua intimidade e não tem tanta necessidade de andar em “bandos”. Estão caminhando no processo de responder à pergunta mais importante dessa etapa: quem sou eu?

Como pais e educadores, no entanto, precisamos saber também que esse processo de construção de identidade, do qual fazem parte o autoconceito e a autoestima, não começa na adolescência, começa na infância sendo a adolescência um período de revisão e atualização do que se formou na infância. Diante disso me pergunto: que valores e que critérios estamos oferecendo às nossas pequenas crianças para que possam viver a etapa da adolescência sem cometerem atrocidades? Sem provocarem situações das quais podem se arrepender o resto de suas vidas?

Para além de refletirmos sobre que valores e critérios temos ensinado, talvez precisemos pensar em como temos ensinado tais valores, será que estamos seguros de estar formando gente de bem, ou confusos com tantas informações e teorias, com o ritmo frenético do trabalho e acabamos nos “deixando levar”? Com certeza, na adolescência, nossos filhos passarão por uma fase mais instável, mais susceptível ao grupo, mais desafiadora. Alguns podem inclusive, agir se posicionando de modo oposto ao que aprenderam em casa, com a família. São formas de descobrirem a si mesmos e de estabelecerem uma distância necessária com os pais, para a formação da identidade pessoal. Porém, quando estão bem formados no que diz respeito ao valor e sentido da vida, quando mostramos com constância e dedicação, que a verdadeira alegria e auto estima vem da capacidade de fazer o bem aos outros e não da egolatria e do elogio “vazio” ou mesmo de serem o centro das atenções, dificilmente agirão de modo tão inconsequente como o que estamos assistindo.

Me preocupo, porque nossa sede de oferecer tudo aos filhos, de protege-los, de evitar que sofram, de ansiar que tenham uma autoestima elevada, nos está conduzindo a enganos talvez irreparáveis! Que enorme tristeza e culpa devem sentir as adolescentes que brincaram com Emanuela que veio a óbito em novembro passado, em decorrência de tal brincadeira! Me preocupo porque toda uma geração encontra-se vítima de nosso “amor-protetor”, de nossa insegurança, de nossa culpa... Precisamos rever e retomar o caminho.

Sempre é tempo! Pais: interfiram, conversem, ouçam, ofereçam o suporte que mesmo quando adolescentes os filhos precisam (embora neguem). Precisamos mudar essa realidade!


Simone Fuzaro

Fonoaudióloga e educadora